Ministros do STF e a Brutal Violência Contra as Mulheres

 

Fonte: You Tube                                                                                    

A negligência das causas profundas da brutal violência contra as mulheres no Brasil, tão explicitadas por feministas do Brasil e do exterior, deve começar com os Ministros do STF, que nos levam a reconhecer a exclusão criminosa do poder feminino como um padrão da sociedade e de suas instituições.

A partir daí podemos compreender o gênero em relação aos tipos de poder patriarcal que dominam a organização de nossa sociedade, que enfatiza excessivamente a punição criminal, muitas vezes desviando a atenção da necessidade de sistemas de apoio social,  autonomia econômica e educação, que são cruciais para a prevenção da violência.

As mídias sociais e imprensa parecem sentir orgasmos com as notícias policiais do dia a dia e dos crimes de violência contra as mulheres, mas não toca na exclusão do poder feminino na sociedade, reforçando a negligência das causas profundas da brutal violência contra nossas mulheres, incluindo as mulheres indígenas. 

Entre as diversas legislações que estão sendo aprovadas, uma delas deve ser inserida obrigando que as mídias sociais, ao divulgarem notícias sobre  violência contra as mulheres, ofereçam simultaneamente o mesmo espaço de tempo  para denunciar a exclusão do poder feminino na sociedade.

Portanto, é importante divulgar os níveis de violência dos homens contra as mulheres, mas mais importante do que isto é divulgar as causas desta violência e a exclusão das mulheres no poder, hoje repleto de machos praticando a corrupção e  violência nos chamados “poderes podres patriarcais”, que sempre deslegitima as mulheres.

Esta exclusão começa em seu município, estado e no nível federal. Quantos mulheres existem nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas, nos tribunais de justiça, tribunais de contas, na direção de órgãos públicos e privados? Assim sendo, quando as mídias sociais e a imprensa divulgarem notícias de crimes contra as mulheres devem enfatizar, também, o quanto elas são vítimas das desigualdades nas estruturas de poder.

Quais os programas sociais, educacionais, de saúde, dentário que a população pode contar em suas áreas de residência. A população está observando as falhas para o aumento de tanta violência contra a mulher? Considera a exclusão das mulheres como fator importante para o aumento da violência? Estas e outras questões respondem por que tanta violência e crimes contras as mulheres.  

Neste sentido, vamos começar com a exclusão criminosa do poder feminino no âmbito do STF, enquanto instituição que poderia servir de exemplo. Dos onze Ministros da nossa Suprema Corte, temos apenas a Ministra Carmem Lúcia representando as mulheres, cuja honradez e dignidade é reconhecida.

Mas de quem é a culpa de se ter apenas uma mulher no STF. É o machismo na Presidência da República e no Congresso Nacional. Recentemente o Presidente Lula deixou de indicar uma mulher para o STF, dando prioridade a um homem por conta de votos, desprezando o pedido de várias organizações em defesa das mulheres. Lembrar que o machismo e exclusão de mulheres se deu também no governo Bolsonaro e outros.

Por conta desta exclusão e violência estatal contra as mulheres, o Presidente Lula deve ser punido nas urnas por todas as mulheres e homens deste país, comprometidos com o combate à violência contra as mulheres. Além disto, a danosa ideologia política e polarização entre esquerda e direita no país inibem a luta pela igualdade de gênero, sendo as mulheres sempre alijadas pelas estruturas partidárias machistas.  

Vale lembrar que, em 2015, o ex-Primeiro-Ministro canadense, Justin Trudeau, quando eleito, indicou seu ministério formado por 15 homens e 15 mulheres, abaixo de 50 anos,  num país que nunca teve um momento de paridade de gênero de fato. Trudeau alegava que queria um governo que representasse a diversidade canadense e se tornasse mais aberto e transparente do que os anteriores.

Por conta disto o Canadá saltou da 30ª para a 3ª posição no ranking mundial de igualdade de gênero no governo, enquanto o Brasil estava na 85ª posição. O resultado disto foi que durante a COVID-2019 os canadenses, principalmente os trabalhadores e pequenas e médias empresas, tiveram uma ajuda financeira invejável no mundo.

O maior escândalo financeiro do Brasil e roubo de aposentadorias pelo Banco Master e a imprensa comentando sobre a participação de Ministros do STF mostram-nos a crise de legitimidade moral de uma instituição, cujo funcionamento depende de sua credibilidade. Estamos diante de um problema muito sério, que exige urgentemente ação do Congresso. 

A violência estatal contra as mulheres no Brasil é assombrosa, dificultando a proteção e defesa delas, quando deveria ser uma prioridade dos governantes. Precisamos de maior participação de  mulheres na política, mas o exemplo das eleições passadas é desanimador, quando elas contribuíram para eleger o pior Congresso de nossa história.

Da mesma forma que fortaleceram a direita e extrema direita, cujas políticas do mal contra elas são reconhecidas, além das insinuações favoráveis à invasão do Brasil pelo poderio militar de Trump, no momento elas são também favoráveis à eleição do Presidente Lula. Por fim, a luta pela igualdade de gênero fracassa com a polarização esquerda-direita.   

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